segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Simples observadora: UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIROFACULDADE DE...

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE LETRAS Do Sentimento do Mundo ¨Elegia 38¨, de Drummond , a ¨Ideologia¨ de Cazuza UFRJ-CURSO: Teoria Literária II PROFESSOR: Antonio Jardim TEMA LIVRE ALUNA: Sandra M.B.Arieta DRE: 109065066 Do Sentimento do Mundo ¨Elegia 38¨, de Drummond , a ¨Ideologia¨ de Cazuza Elegia 1938:  Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, onde as formas e as ações não enceram nenhum exemplo. Praticas laboriosamente os gestos universais, sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual. Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas, e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção. À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas. Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer. Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras. Caminhas por entre os mortos e com eles conversas sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito. A literatura estragou tuas melhores horas de amor. Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear. Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva. Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan. Ideologia Composição: Cazuza / Frejat Meu partido É um coração partido E as ilusões Estão todas perdidas Os meus sonhos Foram todos vendidos Tão barato Que eu nem acredito Ah! eu nem acredito... Que aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Frequenta agora As festas do "Grand Monde"... Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma pra viver Ideologia! Eu quero uma pra viver... O meu prazer Agora é risco de vida Meu sex and drugs Não tem nenhum rock 'n' roll Eu vou pagar A conta do analista Pra nunca mais Ter que saber Quem eu sou Ah! saber quem eu sou.. Pois aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Agora assiste a tudo Em cima do muro Em cima do muro... Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma pra viver Ideologia! Pra viver... Pois aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Agora assiste a tudo Em cima do muro Em cima do muro... Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma pra viver... No poema de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1940, no livro ¨Sentimento de Mundo¨, o poeta fala do sentimento despertado em sua época, na pré-guerra (2º Guarra Mundial-1939/1945) com todos os descréditos havidos, assim como a desilusão do proletariado e a desconstrução da utopia: Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, onde as formas e as ações não enceram nenhum exemplo. Praticas laboriosamente os gestos universais, sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual. Em contrapartida, na década de 80, considerada por muitos ¨A década perdida¨, Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, na letra de sua música ¨Ideologia¨, nos fala também do sentimento de sua época. Um sentimento ¨esvaziado¨ pela falta de valores constatados pelo autor, que nasceu e morreu no Rio de Janeiro, e acompanhou o período da ditadura militar e campanha para as “Diretas Já”. Com a morte de Tancredo Neves, o país passa a viver novamente na expectativa. Sobe ao poder José Sarney que “afunda” ainda mais o país, marcado pela eterna recessão política e econômica. E é nesse cenário que Cazuza comporá suas músicas: Meu partido É um coração partido E as ilusões Estão todas perdidas Os meus sonhos Foram todos vendidos Tão barato Que eu nem acredito Ah! eu nem acredito... Que aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Frequenta agora As festas do "Grand Monde"... Sua postura irônica é percebida através do apelo do autor, cujas ilusões são todas perdidas, e seus sonhos, foram vendidos, tão barato, que ele nem acredita... Já Drummond lançou-se ao encontro da experiência coletiva, solidarizando-se, descobrindo-se como poeta, na vida como um todo, desmistificando os heróis, transformados em estátuas de bronze, que enchem os parques da cidade, e vivem através dos livros, nas sinistras bibliotecas: Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas, e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção. À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas. Na introdução do livro O ser e o tempo da poesia, de Alfredo Bosi, José Paulo Paes afirma que o “ser da poesia” é a imagem, que busca aprisionar a alteridade estranha das coisas e dos homens; é o som no signo, a figura do mundo e a música dos sentimentos recuperadas via linguagem; é o ritmo da frase do discurso poético, a imagem das coisas e movimento do espírito - enquanto o “tempo da poesia” é a resposta dos poetas ao estilo capitalista e burguês de viver. Na capa de seu disco de 1988, ¨Ideologia¨, vemos a foice o o martelo comunista, o medalhão de ¨paz e amor¨ hippie, a estrela de David com a cruz suástica dentro, o cifrão monetário, Cristo, o yin e yang, e o ¨A¨ anarquista, negando tudo. Símbolos que movimentaram o mundo: Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma pra viver Ideologia! Eu quero uma pra viver... Os versos não falam de um caminho a ser ou já seguido, ao contrário, dá evidências da ausência do rumo à seguir. Um sistema de valores é buscado e reconhece o despropósito de uma ¨vida sem causas¨, e assim, este vazio ideológico se tornou ele mesmo, ideologia. Este vazio ideológico que Marilena Chuaí, define como ¨processo pelo qual as idéias da classe dominante se tornam idéias de todas as classes sociais, se tornam dominantes¨. Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva. Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan. Disse o mestre Aristóteles ¨Todo conhecimento passa antes pelo sentido¨ , assim nosso poeta Drummond, que ergue a voz a da consciência crítica frente a indiferença da massa, e também por que não Cazuza, são elegias ao encontro da história contemporânea, de tons de poesia social e universal, sem descartar a sensação de que há de se adiar para o futuro a felicidade coletiva. No texto de Bachelard, em O Instante Poético e Metafísico, ele diz que ¨Meditando-se nessa via, chega-se subitamente à conclusão: Toda a moralidade é instantânea . O imperativo categórico da moralidade, nada tem a fazer com a duração. Não conserva qualquer causa sensível, não espera qualquer conseqüência. Vai direto, verticalmente, no tempo das formas e das pessoas. O poeta então é o guia natural do metafísico que quer compreender todas as potências de ligações instantâneas, o ímpeto do sacrifício, sem se deixar dividir pela grosseira dualidade filosófica do sujeito e objeto, sem se deixar prender pelo dualismo do egoísmo e do dever¨. O poeta será também um profeta? Cazuza nos fala de um herói sem mistificação, e atualmente neste começo do século XXI , vivenciamos isso  e Drummond visionariamente, em 1938, fala sobre dinamitar a Ilha de Manhattan, numa pré-visão sobre o Imperialismo Americano, e suas conseqüências, que só viria muito depois da 2º Guerra Mundial. Bibliografia: BOSI, Alfredo. O Ser e o Tempo da Poesia. Companhia das Letras, São Paulo, 2000 CAZUZA, Disco ¨Ideologia¨, música idem, letra Cazuza, música Frejar, Polygram, 1988; CONVERSAS POR ESCRITO, Entrevistas com Manoel De Barros CHAUÍ, Marilena, O que é Ideologia, SP, Brasiliense, 1984 DRUMMOND, Carlos de Andrade, Sentimento de Mundo, RJ, Pongetti, 1940; Blog Teoria Poética – Antonio Jardim(texto Bachelard) www2.fe.usp.br/revistamelp www.cazuza.com.br

sábado, 13 de dezembro de 2014

Mais Petrobrás...

Esta semana, conforme saiu no jornal Valor Econômico, a ex-gerente executiva da Petrobrás, Venina Velosa da Fonseca, afirmou que alertou através de diversos e-mails para a diretoria, inclusive para a atual presidente da Petrobrás Graça Foster, sobre pagamentos de serviços de comunicação que não foram prestados e sobre a escalada de aditivos que elevaram os custos da refinaria Abreu e Lima de US$ 4 bilhões para US$ 18 bilhões. Segundo o mesmo jornal, a funcionária advertiu seu chefe na ocasião, Paulo Roberto Costa sobre a quem se reportar sobre as irregularidades que estavam acontecendo, e ele apontou para o retrato do Lula, presidente na época e falou: " você quer derrubar todo mundo?". Ela trabalhava na companhia deste 90 e começou a perceber que os gastos de prestação de serviços, cujo teto era de R$ 39 milhões aumentaram para R$ 133 milhões, sem que houvesse explicação aparente. Isso em 2008. O diretor de comunicação, Geovanne de Morais (que é filiado, adivinhem a qual partido? Acertou quem disse: o PT...) foi então demitido pelo desvio de R$ 58 milhões. Eu imagino como os diretores da Petrobrás, junto com os empreiteiros do ¨Clube da Propina¨ devem ter falado ao Geovanne: ¨ - Fica aí submerso, como Boi de piranha, até a poeira baixar... Se sair alguma noticiazinha na imprensa, não há de ser nada. O povão nem lembra o comeu ontem. Amanhã esta notícia vai embrulhar peixe na feira. Arruma uma doença crônica e a gente vai empurrando com a barriga...¨ Foi isto exatamente o que aconteceu, pois o diretor Geovanne só foi demitido em 2013, (isso mesmo, cinco anos após, pessoal!), quando acredito que os diretores já deviam saber que estavam sendo investigados, e demitiram o tal Geovanne. E então, visto que a funcionária que enviava e-mails desagradáveis estava incomodando, eis que a transferem para Singapura (isso em 2009) para ocupar um cargo, e quando ela chega lá, dizem para ela fazer um curso de especialização, ou seja, para ela não trabalhar mais dentro do organismo, podendo apurar ou se informar de mais desvios de verbas. Bem, foi isso que entendi ao ler as reportagens sobre essas notícias. A cada novidade sobre a Petrobrás, me sobe uma revolta por esta estatal, que era orgulho de todos brasileiros, e agora está sendo investigada por diversos órgãos de justiça não só aqui, como na Suiça e nos Estados Unidos, e está valendo dois terços a menos de seu valor. Os pobres trabalhadores que optaram por aplicar o saldo do seu FGTS em ações, e na época a mais valiosa era a Petrobrás, viram seu dinheiro valer menos que a metade. Agora eles os pequenos acionistas (a maioria desses trabalhadores) estão acionando a Petrobrás pela roubalheira e desvio de verbas que culminou em todo este escândalo.

ARREPENDIMENTO TARDIO

Venho acompanhando as últimas notícias sobre a Operação Lava Jato, que a cada novidade ou acontecimento, vem cada vez mais surpreendendo e chocando o povo brasileiro. Na acareação ocorrida no último dia 2 de dezembro entre os diretores da Petrobrás, Paulo Roberto Costa e Nestor Ceveró, ficou claro a percepção que um dos dois estava mentindo, e todos percebemos que o Nestor Ceveró é o candidato a ganhar o troféu de ¨Mentiroso do Ano¨ (embora sua aparência lembre o personagem Quasímodo, do grande autor Vitor Hugo), posto que o Paulo Roberto Costa teria dado as provas do que estava relatando. E num determinado momento, o mesmo disse que ficou enojado com tanta roubalheira, que ele coordenava, junto com outro diretores!!!. É, Sr. Paulo Roberto Costa, na eminência de ser preso e ficar alguns anos na prisão, o Sr. optou pela delação premiada, ou seja, tentou amenizar o que seria um castigo maior de ser preso, lógico que afetando sua família, porém não venham os deputados e senadores da comissão mista destas irregularidades dizerem que se ele não denunciasse, não saberíamos destas práticas. Utopia... com certeza os agentes da PF já tinham todo o material. Talvez se não fosse a delação premiada, demoraria um pouco mais, e precisavam de mais estofo nas denuncias. Só que o dinheiro que ele devolverá, talvez não chegue nem a metade do que ele usurpou. Não sejamos ingênuos, o Brasil precisa de um bisturi muito afiado para cortar os desmandos, a roubalheira, anos de passividade deste povo sofrido, mas amável, de maioria de trabalhadores, que lutam para ter um Brasil melhor. Encerro, como simples observadora, um trecho do tratado do Estoicismo de Epicteto (55 d.C-135 d.C), que foi escrito por volta de 93 d.C, que penso que é o nosso ideal (longíneo): ¨Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa – em suma: tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos – em suma: tudo quanto não seja ação nossa. Por natureza, as coisas que são encargos nossos são livres, desobstruídas, sem entraves. As que não são encargos nossos são débeis, escravas, obstruídas, de outrem. Lembra então que, se pensares livres as coisas escravas por natureza e tuas as de outrem, tu te farás entraves, tu te afligirás, tu te inquietarás, censurarás tanto os deuses como os homens. Mas se pensares teu unicamente o que é teu, e o que é de outrem, como o é, de outrem, ninguém jamais te constrangerá, ninguém te fará obstáculos, não censurarás ninguém, nem acusarás quem quer que seja, de modo algum agirás constrangido, ninguém te causará dano, não terás inimigos, pois não serás persuadido em relação a nada nocivo... e absolutamente não atingirás aquelas coisas por meio das quais unicamente resultam a liberdade e a felicidade¨

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Jô Soares - Um Estudo Sobre o Capitalismo... e as vacas

Sobre os últimos acontecimentos...

À propósito sobre os últimos acontecimentos, ou escândalos, como preferirem, embora muito à contragosto, concordo com o discurso da ¨Presidenta¨ Dilma, que a corrupção sempre existiu, e só agora estão apurando, divulgando e eventualmente, punindo. A prática de suborno e aliciamento do governo é endêmica, desde a monarquia, passando para nossa desgastada república. Embora, enquanto não estava sendo divulgada na mídia, o PT até que tentou mexer os pauzinhos para tirar o juiz Sérgio Moro (conforme li na Veja), mas depois da operação Lava-Jato ser divulgada e devassada para a opinião pública, ficou difícil. Agora temos que esperar as mudanças prometidas pela atual presidenta no novo mandato, embora as previsões para 2015 são as mais sombrias possíveis. Vamos aguardar...

Vida

``As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos – devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza. Assim, conquistar algo que desejamos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto, ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado. Aceitamos o presente como algo que é apenas temporário e o consideramos como um meio para atingir nosso objetivo. Deste modo, se olharem para trás no fim de suas vidas, a maior parte das pessoas perceberá que viveram-nas ad interim [provisoriamente]: ficarão surpresas ao descobrir que aquilo que deixaram passar despercebido e sem proveito era precisamente sua vida – isto é, a vida na expectativa da qual passaram todo o seu tempo. Então se pode dizer que o homem, via de regra, é enganado pela esperança até dançar nos braços da morte! Novamente, há a insaciabilidade de cada vontade individual; toda vez que é satisfeita um novo desejo é engendrado, e não há fim para seus desejos eternamente insaciáveis. Isso acontece porque a Vontade, tomada em si mesma, é a soberana de todos os mundos: como tudo lhe pertence, não se satisfaz com uma parcela de qualquer coisa, mas apenas como o todo, o qual, entretanto, é infinito. Devemos elevar nossa compaixão quando consideramos quão minúscula a Vontade – essa soberana do mundo – torna-se quando toma a forma de um indivíduo; normalmente apenas o que basta para manter o corpo. Por isso o homem é tão miserável.¨ Schopenhauer

Teu lugar...

Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o - Nietzsche (1844-1900) -