terça-feira, 23 de setembro de 2014

UNIVERSITÁRIOS SEM CIDADANIA

       Alguns finais de semana anteriores, exatamente no sábado dia 6 de setembro, no Centro do Rio, numa festa de arromba dos universitários da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ situada no local, amanheceram pichados: a escultura do austríaco Franz Weissmann, no Largo Albino Pinheiro, as paredes do Teatro João Caetano, as paredes da própria Faculdade e prédios nos arredores. O caso está já na delegacia competente para investigação, e esperamos que consigam encontrar os culpados, se encontrarem. Mas isso me reporta a um pensamento coletivo atual que falta educação, principalmente nas faixas mais pobres da sociedade, através dos comportamentos de total falta de cidadania (lixo no chão, furar fila, não dar lugar aos idosos no ônibus, etc.). 

   Mas, sempre encontramos esses paradoxos: como jovens com conhecimento bastante para entrar numa Faculdade Federal, agem como bárbaros, no próprio lugar onde estudam? Acredito que tal comportamento, não só deles mais de uma grande parte da população atual está na educação. Não na educação como forma de aprendizado de matérias, e sim como formação de direitos e deveres de cidadão. Aproximadamente a duas gerações anteriores, os pais têm de trabalhar. Em casa não dá para ensinar tudo. Na escola, antigamente, tínhamos aulas de Moral e Cívica, que abrangia praticamente tudo o que mencionei: ter amor à pátria (na época, vai, pairava a ditadura), ter respeito aos pais e mais velhos, ecologia (plantávamos árvores, e flores em vasos para enfeitar a escola), trânsito (como atravessar a rua), etc. 

    Os pais já são da geração que não ligam para estes aspectos da vida, pois também o pensamento é do capitalismo neoliberal: ter mais dinheiro, dar aos filhos mais objetos de consumo e não: vou dar ao meu filho a melhor educação possível em casa, para a escola apenas complementar sua educação. E possível mudar, visto que quando da campanha do cinto de segurança nos veículos, através da propaganda, as próprias crianças pediam aos pais que colocassem o cinto de segurança, e hoje em dia seu uso é automático, está no subconsciente das pessoas. Assim, penso que se voltassem com essas matérias desde a mais tenra infância, o senso de direitos e deveres do cidadão ficariam também no subconsciente. Isso vimos nas manifestações do ano passado, queríamos mudanças, mas não sabíamos nem nos organizar para pedi-las, dando margem aos aproveitadores de alterar todo nosso empenho em sermos cidadãos que querem e podem a qualquer momento no país reinvindicar por elas. Hoje em dia os pais que não têm mais ¨tempo¨, além de não possuir referências daquela época, com certeza melhorariam a forma de agir e através dessa prática com as crianças na escola, teriam também a referência perdida dos avós, e com isso mudaríamos a forma de pensar o coletivo social.

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