sábado, 13 de dezembro de 2014

Mais Petrobrás...

Esta semana, conforme saiu no jornal Valor Econômico, a ex-gerente executiva da Petrobrás, Venina Velosa da Fonseca, afirmou que alertou através de diversos e-mails para a diretoria, inclusive para a atual presidente da Petrobrás Graça Foster, sobre pagamentos de serviços de comunicação que não foram prestados e sobre a escalada de aditivos que elevaram os custos da refinaria Abreu e Lima de US$ 4 bilhões para US$ 18 bilhões. Segundo o mesmo jornal, a funcionária advertiu seu chefe na ocasião, Paulo Roberto Costa sobre a quem se reportar sobre as irregularidades que estavam acontecendo, e ele apontou para o retrato do Lula, presidente na época e falou: " você quer derrubar todo mundo?". Ela trabalhava na companhia deste 90 e começou a perceber que os gastos de prestação de serviços, cujo teto era de R$ 39 milhões aumentaram para R$ 133 milhões, sem que houvesse explicação aparente. Isso em 2008. O diretor de comunicação, Geovanne de Morais (que é filiado, adivinhem a qual partido? Acertou quem disse: o PT...) foi então demitido pelo desvio de R$ 58 milhões. Eu imagino como os diretores da Petrobrás, junto com os empreiteiros do ¨Clube da Propina¨ devem ter falado ao Geovanne: ¨ - Fica aí submerso, como Boi de piranha, até a poeira baixar... Se sair alguma noticiazinha na imprensa, não há de ser nada. O povão nem lembra o comeu ontem. Amanhã esta notícia vai embrulhar peixe na feira. Arruma uma doença crônica e a gente vai empurrando com a barriga...¨ Foi isto exatamente o que aconteceu, pois o diretor Geovanne só foi demitido em 2013, (isso mesmo, cinco anos após, pessoal!), quando acredito que os diretores já deviam saber que estavam sendo investigados, e demitiram o tal Geovanne. E então, visto que a funcionária que enviava e-mails desagradáveis estava incomodando, eis que a transferem para Singapura (isso em 2009) para ocupar um cargo, e quando ela chega lá, dizem para ela fazer um curso de especialização, ou seja, para ela não trabalhar mais dentro do organismo, podendo apurar ou se informar de mais desvios de verbas. Bem, foi isso que entendi ao ler as reportagens sobre essas notícias. A cada novidade sobre a Petrobrás, me sobe uma revolta por esta estatal, que era orgulho de todos brasileiros, e agora está sendo investigada por diversos órgãos de justiça não só aqui, como na Suiça e nos Estados Unidos, e está valendo dois terços a menos de seu valor. Os pobres trabalhadores que optaram por aplicar o saldo do seu FGTS em ações, e na época a mais valiosa era a Petrobrás, viram seu dinheiro valer menos que a metade. Agora eles os pequenos acionistas (a maioria desses trabalhadores) estão acionando a Petrobrás pela roubalheira e desvio de verbas que culminou em todo este escândalo.

ARREPENDIMENTO TARDIO

Venho acompanhando as últimas notícias sobre a Operação Lava Jato, que a cada novidade ou acontecimento, vem cada vez mais surpreendendo e chocando o povo brasileiro. Na acareação ocorrida no último dia 2 de dezembro entre os diretores da Petrobrás, Paulo Roberto Costa e Nestor Ceveró, ficou claro a percepção que um dos dois estava mentindo, e todos percebemos que o Nestor Ceveró é o candidato a ganhar o troféu de ¨Mentiroso do Ano¨ (embora sua aparência lembre o personagem Quasímodo, do grande autor Vitor Hugo), posto que o Paulo Roberto Costa teria dado as provas do que estava relatando. E num determinado momento, o mesmo disse que ficou enojado com tanta roubalheira, que ele coordenava, junto com outro diretores!!!. É, Sr. Paulo Roberto Costa, na eminência de ser preso e ficar alguns anos na prisão, o Sr. optou pela delação premiada, ou seja, tentou amenizar o que seria um castigo maior de ser preso, lógico que afetando sua família, porém não venham os deputados e senadores da comissão mista destas irregularidades dizerem que se ele não denunciasse, não saberíamos destas práticas. Utopia... com certeza os agentes da PF já tinham todo o material. Talvez se não fosse a delação premiada, demoraria um pouco mais, e precisavam de mais estofo nas denuncias. Só que o dinheiro que ele devolverá, talvez não chegue nem a metade do que ele usurpou. Não sejamos ingênuos, o Brasil precisa de um bisturi muito afiado para cortar os desmandos, a roubalheira, anos de passividade deste povo sofrido, mas amável, de maioria de trabalhadores, que lutam para ter um Brasil melhor. Encerro, como simples observadora, um trecho do tratado do Estoicismo de Epicteto (55 d.C-135 d.C), que foi escrito por volta de 93 d.C, que penso que é o nosso ideal (longíneo): ¨Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa – em suma: tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos – em suma: tudo quanto não seja ação nossa. Por natureza, as coisas que são encargos nossos são livres, desobstruídas, sem entraves. As que não são encargos nossos são débeis, escravas, obstruídas, de outrem. Lembra então que, se pensares livres as coisas escravas por natureza e tuas as de outrem, tu te farás entraves, tu te afligirás, tu te inquietarás, censurarás tanto os deuses como os homens. Mas se pensares teu unicamente o que é teu, e o que é de outrem, como o é, de outrem, ninguém jamais te constrangerá, ninguém te fará obstáculos, não censurarás ninguém, nem acusarás quem quer que seja, de modo algum agirás constrangido, ninguém te causará dano, não terás inimigos, pois não serás persuadido em relação a nada nocivo... e absolutamente não atingirás aquelas coisas por meio das quais unicamente resultam a liberdade e a felicidade¨